quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

FELIZ NATAL - FERNANDO PESSOA

Num meio dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia
Vi Jesus Cristo descer à terra,
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu,
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras,
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem

.......

Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três,
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz


E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz no braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras nos burros,
Rouba as frutas dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.

A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as cousas,
Aponta-me todas as cousas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.

Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre,
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.


A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.


A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos a dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.


Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo o universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.


Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade


Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do sol
A variar os montes e os vales,
E a fazer doer aos olhos os muros caiados.
Depois ele adormece e eu deito-o
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.


Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos,
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono

Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu no colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.


Esta é a história do meu Menino Jesus,
Por que razão que se perceba
Não há de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

SENSAÇÃO

Foi assim, de repente, como se fosse necessário a quase total distração da mente..assim, e de repente coração cansado que estava de não bater mas sobreviver sente, se faz presente..
Sente de repente.
Presente..
Sensação...
Atônita, surpresa ..coração bate..bate...
E no peito a leve brisa vida levemente solta..solta e sem ter onde pegar seguro o ar no pulmão e ar que entra me deixa zonza, tonta, sem chão onde pudesse sequer tocar ou quem sabe tentar sustentar, solta que estava no ar..o tal ar...o ar que aqui está..tá aqui e até o tentar respirar ..dá medo, temor que de repente o que restou do momento desapareça como veio, de repente se vá como veio, num leve suspiro...mas se eu paro e ponho ouvido no meu coração lá está, ficou.
Algo ficou do ar que de repente ...como?...não há como explicar... só sentir o que agora existe aqui dentro de mim, do meu peito a esperar que a mente novamente num momento de distração deixe coração tentar decifrar..fica ar, fica não se vá ..fica ..não me deixa, agora não..fica sensação, impressão..fica..
Fechando os olhos sei que vou chegar...fica ar ..fica..me deixa estar ..fica ar ..fica!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

LUZ E SOMBRA

Queria não ver esta parte em mim, a sombra nos meus olhos, os cravos que sinto ferindo boca, mãos, pés que me prendem aqui e o hálito fétido que produzo.
Queria no espelho não enxergar o olhar maldoso, a critica nos lábios, a luxúria, os anseios menores, os risos falsos, as conveniências e meio sorrisos que também outros como espelhos escondem de mim ao me verem dar as costas ...
Queria não ver as trevas, as violentas ondas de ira e medo que ainda cabem e saem de mim, queria o paraíso em Terra, o anjo, mas ainda me vejo assim.
Céu e inferno.
Inferno que está aí fora ainda resulta do que há aqui dentro, não há como escapar desta responsabilidade da co-criação da minha Realidade, no aqui e agora.
Terra treme, por que antes treme em mim.
Na Terra há enchente do que transborda em mim.
E nas partículas minúsculas do vento que formam o furacão lá estão pedaços dos meus pensamentos caóticos como movimentos de tufão.
No fogo lá está minha ira, sentimento de posse, ilusão da certeza sempre das coisas, do ter sempre razão, como evitar sentir o que o fogo mal usado dentro e fora de mim produz?
Queria não ver a farsa, as meias palavras, o ciúme, inveja que ainda jazem aqui dentro e que queimam boca do estômago, fel que me envenena, auto flagela e que como seta certeira retorna a mim espelhados nos sentimentos em outros seres e que saem ferindo como flexa certeira, cortando, sangrando e me prendendo à carne.
Queria só versos cantar e nunca, nunca, nunca mais usar palavras pra maldizer, mal criar, Gerar apenas vida fora de mim.
Queria ser só a Luz, mas onde iria assim, que lugar aqui me caberia?
Em que orbe estaria, que céu visitaria?
Até quando em mim sobreviverá a sombra?
Quando a Luz estará por fim fincada ?
Quando a sombra sairá e dará só espaço a Luz?
O que faço com o espelho que teima em mostrar o mal fadado em mim?
Quebrá-lo seria a solução e o que faria com a maldição que isso traria ?
Mente doente pelas suspeitas,tristezas, raivas, todos filhos do medo.
Como abortar o medo e dar a luz à Luz ?
Como fazer em mim crescer as asas, como abrir clareiras em meio ao abissal, abismal ?
Como os santos e anjos me cansam!
Por que tenho que ter asas ?
Pra que?
Quando o grito lascinante se tranformará no canto suave, na história contada, cantada e não essa chaga, esse clamor, esse grito de horror, esgar do pequeno, do infame, do que é sem luz em mim?
Colheita, não há como fugir, sumir pra onde?
Escolher Luz ou Sombra?
Optar?
Onde poderei reconhecer a Luz se a Sombra coadjuvante não estiver aqui?
Como haveria a conciência do que é Sombra sem a Luz?
Como poderia vislumbrar a luz sem a sombra pra se contrapor?
Preciso de ambos.
Luz e sombra fazem parte, são o que me fazem distinguir pelo dual, bem e mal, doce, azedo, frio, quente, sentir o gosto da vida.
Será que terei que vomitar em mim a sombra pra dar espaço a Luz?
Eliminar a sombra?
Instalar a Luz?
E como se dará tal aprendizado aqui?
E me curvo com carinho a tudo que há , o que aqui me dá vida, matéria Terra e Luz juntas convivem num eterno jogo, dual,precisa-se dele até o final , se houver final.
Ambos convivem, estão presentes...
Dou espaço ao que acima está e subo para onde o peso do certo ou errado é tirado, acaba guerra, espadas e cruzes tombam, não há mais necessidade dos que aqui se sacrifiquem por mim, nem tão poucos que tenha que criar asas pra voar, subo assim mesmo, humana que sou simplesemente subo.
Aqui, agora em mim reina a calma, aceitação,Luz!
E mais céu em terra novamente aterrissa!


quarta-feira, 25 de novembro de 2009



Recebi este selo de Sabrina Noureddine, que acima de tudo É!
E entre muitas coisas É amiga!
Sim,não uma amiga "normal", não, não destas que a gente pode se encontrar e tomar um drink ou um chá juntas de vez em quando, ou aquelas com quem podermos "papear" quando a saudade bate ou quando saudade bate dentro da gente de outras gentes e que podemos com elas contar pra desabafar.
Não, essa é amiga diferente, é amiga virtual que por ser virtual, já ouvi isso escrito, nem por isso é menos real.
É real porque vivo num mundo onde o sentir é presente e o sutil valorizo tanto quanto o palpável e onde o virtual é dimensão viva e vivida.
E dentro disto digo, Sabrina é real pra mim, é amiga virtual sim, mas sei que os afins sabem vencer tempo e espaço para estarem juntos e por isso se tornam amigos "diferentes", mas amigos que surgem pelo que de mais real pode existir entre pessoas e por isso suplantam espaço/ tempo, amiga por sintonia.
Sei portanto que a sintonia fina nos aproximou e que vencendo espaço estamos construindo a amizade possível e isso já é bom demais pra gente como a gente resolveu que nem espaço e tempo podiam ser obstáculos a aproximação.
Mágica amizade portanto!
Obrigada minha querida, sensível e guerreira amiga!
Saiba que me sinto muito honrada por sua presença na minha vida!

Receber de Sabrina esse lindo selo teve algumas condições que passo a respeitar assim:
Tenho que escolher dez amigos para declarar a minha amizade e os nomeio num post.
Depois tenho que visitar seus blogs e comunicar a nomeação.
Cada um por sua vez deverá nomear mais dez, e assim sucessivamente.
Não há "prêmios" a não ser o dom precioso da nossa amizade e sincero afeto.
Quer prêmio melhor que esse?
E aí vão os meus indicados por ordem alfabética:
1-Bia Badaud
2-Canto de Contar Contos -da minha amiga Cris França
3-Gaivota Dourada 22
4-História de Vida - de Sharon
5-Lúcia Campos Virtual
6-Sem Fronteira para o Sagrado - Norma Villares
7-Sintonia Coração - Marisa Shiroto
8-Vale da Lua -de Bya Moon
9-Verborragia - Bianca
10-Viajantes Alados - Tereza Ferraz

domingo, 22 de novembro de 2009

LAR


Onde encontrar o traço, o fino traço que me fez aqui chegar?
Onde?
Onde encontrarei o mapa, o rumo, a bússola que me guiou até o certo lugar?
Onde?
Onde vou deixar as malas?
Onde vou minhas roupas deixar?
Onde e em que colo vou poder descansar?
E que braços poderei abraçar?
E de que coração as batidas estarei a ouvir quando me reclinar e o corpo cansado da viagem deixar descansar?
Pra onde enviarei o convite da festa?
Com quem poderei celebrar?
Se pra cada canto que olho não te encontra o meu olhar?
Se endereço não tens?
Se caminhos não conheço que me façam chegar?
Como, como poderei ficar então se só do teu ar sei respirar?
Onde?
Onde é que eu vou te encontrar?
Pra que endereço enviarei as cartas que de amor vier a te escrever?
Pra onde devo enviar cobranças e cartas de aviso?
Onde?
Onde posso encontrar?
E se aqui vierem e por ti a mim alguém perguntar?
Pra onde envio o que meu coração precisa só a ti entregar?
Dá-me teu rumo e mapa pra eu poder enfim ter prumo, por que sem ele me perco sem saber pra onde meu corpo sedento de sede precisa me levar.
Onde?
Diz pra mim, onde te encontrar já não vês que passou da hora?
Já não vês que é preciso antes que meu coração se canse e me faça desistir e numa tentativa de vida me faça esquecer por ter se tornado doloroso o nunca poder, o nunca chegar?!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

SUTIL


Novamente aqui me perco no que o sentimento mostra por ser fugaz?
Mas não é fugaz o que persiste, não é fugaz o que se sustenta por si mesmo e por tanto tempo.
Não pode ser fugaz o que sinto e me dá vida.
Sutil por certo, por certo sutil, como tudo que permeia o sentimento.
Um olhar, um toque, um certo perfume,tudo, tudo muito sutil à mente e sutilmente vamos nos perdendo ao classificarmos o que nos tocou a alma como "fugaz", sem peso nem permanência, volátil.
Triste mundo esse que vivemos tão pobre de sutilezas e sentimento e tão rico em palavras e emoções full gás!
E graças ao sutil, vivemos.
Graças ao não tocável estamos, respiramos.
Somos felizes pelo que se tem como tênue, passageiro, irreal..
Graças ao Sutil toque, meu coração sobrevive, a vida insiste e persiste.
E hoje meu coração reina no que antes era reino só da razão, sutil, tênue, mas fugaz?
Não!
Sutil Coração, sutil emoção, perene sentimento que transforma Razão pelo coração!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Canto de Contar Contos


Ganhei este doce selo de uma doce mulher que a sincronicidade me guiou, os anjos me fizeram a ela chegar e já por duas vezes a mesma sincronicidade me fez nela enxergar suas asas.
Gosto do Blog dela, gosto do jeito de ela nos receber, gosto do que ela escreve e gosto de tudo que lá encontro.
Gosto!!! e isso é muito pra mim, gostar de alguém não tem preço e ela está de parabéns, celebra ano de seu blog da maneira mais generosa: compartilhando seu espaço conosco, nos deixando lá escrever, nos cedendo um pedacinho da sua casa.
Isso é impagável, é lindo, é raro, é sem nome, é delicado!
Dela ganhei um presente, o de sempre estar presente por aqui e como o Universo quis selar esse"encontro virtual" ainda por cima me fez ganhar um presente sorteado de seu Blog...quer mais o que pra entender que essa mulher só pode ser muito especial pra mim??
Ah, querem mais provas???
Basta conectarem-se com os anjos..
Eis o lindo selo!!
Obrigada Cris..querida amiga Angélica!!

domingo, 25 de outubro de 2009

TEMPESTADE DE AREIA


Tempestade de areia agora aqui lembrar-me dela, revê-la como um filme, e quase ainda sentir a sensação da areia nos meus olhos e as lágrimas que os limpou é sentir que elas nunca são iguais, sempre revelam em nós algo que não víamos antes por nossa cegueira, por não queremos enxergar, teimar, deixar que a areia nos cegue é pior que a tempestade em si.
Quando vou me acostumar com elas? Quando serei tão forte quanto esse povo do deserto?
Parecem feitos de outra matéria... algo mais depurado do que eu sou, algo maior...
E quando a tal tempestade passa há calma , e tudo volta a aparente rotina, a alma se aconchega dentro do corpo, pisamos aqui inteiros, seguimos a caminhada..
O que fazemos aqui?
Faz tanto, tanto tempo , dias, noites, meses, anos, o tempo passou, passa, sentimos: É necessário caminhar, seguir, prosseguir, não dá pra enraizar, é Lei sentida no Deserto.
E começamos a caminhar, e seguimos em busca de outro lugar,a direção é a do nosso coração, ele nos guiará...
E mais dias e mais noites na caminhada.
Deus quando vou me acostumar?
Andar, Caminhar .....Seguir....
Pai, daqui já se vê o mar!
O Grande mar azul
E enxergar o contraste do azul de sua água com o branco da areia do Deserto é lindo, dá pra se cantar a sua beleza.
Há sede mas ainda há água , há força pro caminhar.
E ao chegarmos perto do mar é como se fizesse mais notado nosso cansaço , ou só nos permitimos aí o sentir o peso das roupas coladas ao corpo pelo calor e a longa jornada até cá ?
Não dá pra conter, das velhas roupas nos livramos e no azul do mar mergulhamos e rimos e brincamos como crianças.. Não há como esconder a criança á vista do mar.....
Ali novamente armamos nossas tendas, a noite chega e nos encontra a todos refrescados e limpos.
Acendemos a fogueira e cozemos nossos alimentos, o fino aroma de temperos, chás, assados.
Agora é noite no Deserto sim mas, perto do Mar.
Na tenda preparo-me, óleo nos cabelos, fino aroma de aloés, mirra, incenso, sândalo. Visto-me, sandálias douradas, roupas coloridas de prateado, dourado, azul, verde, na testa a pequena gota lilás, ametista , pulseiras douradas.
Saio e sinto o vento ameno, ar de mar, que a tudo neutraliza, junto-mr a meu povo, cantam e dançam, tomamos do quente vinho, logo vou querer descansar, foi longo o tempo até cá e ao voltar a tenda é a música que cantam que me faz aquietar, as velhas histórias de um povo que veio de tão longe ..
Quentes noites, quentes canções, quentes corações.
Cai a noite na tenda e é o cansaço que me acalenta me faz adormecer, logo amanhecerá.
E assim tem sido há tanto e tanto Tempoooooo!!!!!
Eu sei que pela manhã o quente leite alimentará, o cheiro do pão entrará por nossas narinas nos fazendo acordar e novamente o longo trabalho de nos manter sadios na espera.
Não sei por quantos dias e quantas noites ou quantos Éons....os sinais se farão notar e o esperar é o que nos resta, é o que resta a cada um de nós, é o maior alimento.
A esperança não nos deixará, sei, sinto seu perfume..
Estrela nova no céu.
Brilha!
O que virá ?
Ousaria sonhar?
Oro por nós!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

QUEM SABE?


Como negar que de repente bate na gente aquela coisa que como nó amarra o peito e o faz diminuir de tamanho, laçado que está??..como?
Como omitir que de repente, a alma se solta das grades do pensamento e lá se vai à cata do que se foi, partiu...sei lá..desapareceu, deixou de ser...
Separou?
Mas dor, só dor deixou e aqui de repente num instante, como faísca, fagulha volta a nos queimar alma, coração, como espinho a nos ferir, tocar alma??
A dor da ausência da presença volta a doer..
E o que parecia antes lascinante, agudo vira latente, pungente, dor crônica da alma quando o que se queria era que desaparecesse, sumisse, desvanecesse, como chama ao vento sumisse, deixasse de ser..
Deixa-se de estar e a alma, renitente, doente, viciada que está, quer estar e vai lá buscar, tenta tocar, sentir, pegar, pra só padecer e quando se menos espera lá ela está a nos trazer a dor da imagem sem som, sem cor, só dor,perfume sem odor, bolor do que foi, lembrança traiçoeira ....
E de repente lá está a minha alma onde só se vai por não esquecer o que foi bom aqui, o que aqui vida teve e se foi, desvaneceu? amareleceu? desencantou??
Vai ao nos deixarmos vagar, irmos em ondas a procura de par..
Lembranças que vêm me buscar ,pra quem sabe perto chegar e tocar e novamente sentir o par..
Ah, que vontade de tocar..
Ah, que vontade..
Ah, saudade , o que é que me faz de repente, num repente lembrar????
Quando nada, nada aqui disparou o tal gatilho que me leva a dor?
Clamor????
O que????
Me diz?
Que é que de repente nos aponta o rumo ?
Que é que de repente nos faz parar tudo e lá chegar?
Um cheiro?
Um som ?
Uma palavra?
Um tom?
Uma cor, flor?
A brisa as vezes traz um pensamento de longe de quem sabe, do outro lado está também a nos buscar, e aqui sentimos chamado, tom,som, ar???
Cheiro de jasmim no ar.
Quem sabe o que nos faz virar onda e ser levado pelo ar?
Quem sabe como de repente criamos asas e voamos feito pássaros na tentativa de deixamos de por aqui nos arrastar pelo peso do que se deixou pra lá e lá chegar?

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

GARIMPO



E é na primavera que as flores desabrocham ...é sempre o desabrochar depois do zelar, cuidar e as ervas daninhas retirar..escolher, arrumar, tentar tirar o que serve e o que não serve mais..garimpar..
Garimpeiro em mim há de por minha alma zelar, do ego tirar escolhos, cascalhos, peneirar o que me serve e o que travas me dá..
Tirar de mim a rebeldia e a dor de ver e saber que nada posso mudar do que foi decidido, firmado, tratado por quem aqui está.
E nada, nada foge ao comando da Alma e o que há que ser simplesmente e naturalmente será..
Garimpeiro em mim dos escolhos retira o que não pode mais ficar e sendo assim muda o rumo que a vida dá...
Jardineiro em mim retira, capina o joio, ceifa a terra e o que nela dor me dá..
E lá se vão vaidades, intolerâncias, medos ...energias que não dá mais pra aqui como se está cultivar...é o reflorescer o desintrestecer o retornar levemente..noite escura da alma se vai e com ela há de ir o que me fazia deixar de ser o que Eu Sou!
Garimpo em mim, lapidação ......
Terra ceifada....mexida, cortada, pronta pra plantio...
Me inclino a Ti Terra Mãe, faço parte, fazes parte de mim e se tremes fora, natural o tremeres em mim..me entrego a ti..sempre será assim, sempre será, sempre o foi enquanto aqui Às Tuas Regras,Leis segui, sempre foi assim e assim sempre o Será..
Me entrego em confiança a teus processos em mim, não há como não te entregar o que Eu Sou aqui pois És em mim a vibrar,magneto,imã, Irmã a gerar, parir, nutrir, consolar, me fazes aqui em Terra minhas raízes fincar e no processo força me dás..comungas com minha alma aqui, me querendo aqui me fazes ficar.
Alma minha aqui revestida da tua matéria está e por ela precisa zelar, pois sem ela como estar?

domingo, 4 de outubro de 2009

ESTAR


E pelo espelho me vejo sorrir, sem sentido sorrir, algo minha alma já sabe que não aponta aqui e fico alerta, sentindo o sentir, atenta ao que minha mente como cortina esconde de mim mas que minha alma aponta pelo meu leve sorrir..minha alma começa a mostrar o que meu coração enxerga e a mente não consegue ainda atinar, ver:vida aqui..
E coração trai a mente e me faz pelo vento sentir o cheiro, aroma, ar,solta a alma em mim me faz farejar..
E começo a te sentir aos poucos e o riso solto sem motivo que era, agora, começa a ter sentido e noção pois a mente se rende a emoção e se deixa guiar e indica chegada, rumo, rota e começo a te procurar, seguir..sentir no ar..
Te procuro, a mente vai me apontando, dizendo , querendo indicar e digo a ela: -Calma, sossega, não é assim que se chega onde Ele está..não és tu quem comandas o meu chegar nem tão pouco o que virá ou o que Ele pelos olhos trará,te passará.
E vou me soltando, sentindo,tato, faro, cheiro, chão,pés e mãos e bate novamente coração me dizendo tá perto ..tá chegando e sinto de novo a emoção..chegar a ti é a razão do riso que já me invade alma ,coração, razão a acompanhar.
Vem de repente, como se sempre estivesse estado lá e começo a de longe te enxergar, clamas, vais chegar..precisas estar..vou, vôo, sigo teu ar, sigo pelo ar, que de lá não se vai afastar...
Vou chegando de mansinho e aqui a ave em mim começa a sentir, precisa ..necessita ...vai estar, se alimentar..
Sigo teu chamado ..vou, não há como negar..sempre seguirei é deixar que a alma fale mais alto que o que aqui em volta está....vou chegar, me aguarda ..estou já lá...sigo, já , já...lá..
Me aguarda vida já chego..já estou...já sinto o ar e o teu riso em mim chega mudando vida e rumo de tudo ..contigo estar é novamente me permitir sorrir sem ter que definir, é simplesmente viver...
É estar!!!!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009


Confiar é dar as mãos..menina pequena dando a mão a pai e irmão..
Confiar é ter certeza, vai se estar lá..vai estar lá...
Confiar é de repente entender: não vai faltar!
Não faltará!
Confiar é fiar com ..é tecer junto, é entrega e noção de que acima de tudo e de todos se está lá..se vai buscar e se encontra ..é ter certeza de encontrar..
Confiar gera...constrói pontes ..regenera...
E se todos me faltarem?
E se ninguém mais estiver?
E se ninguém encontrar?
E se a noite vier?
E se o mundo acabar?
E se o sono vier você vai por mim olhar?
Vai me embalar quando o choro chegar?
Confiar é ter certeza..vais estar...
Sendo assim te entreguei prumo e linha... confiei
Sendo assim me entreguei..
E tendo sido assim caminhei sabendo ...o salto dado no passado seria acompanhado, regido, conduzido, seguido...guiado...
E se hoje olho pro lado e não te enxergo, não será por abandono teu meu coração e sim pela simples razão de que tão dentro de mim estás que pra te enxergar tenho que olhar dentro,infinitamente dentro, que me perco se ao te procurar pra fora arriscar o olhar, que me perco se deixar que o pensamento feito bruma, cortina da alma me cegue e me tolha o vôo pra dentro de mim..
E por que foi assim, sigo enfim, mesmo que a olhos vistos não te enxergue aqui por que sei, confio, que no final da estrada é contigo que vou me deparar por que não há caminho que não me leve a em ti por tudo e por tanto do que vivi confiar!

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

ESPELHO MEU


Espelho, espelho meu...
Queria descobrir o tempo exato, o espaço onde a gente se perde da gente..
Queria descobrir o passo mal dado..o não ou sim "mal fadado" Queria descobrir onde a gente se perde num repente..
Queria descobrir o jeito de dar certo, o jeito de fincar..
Queria descobrir o ar, o que tem que ser e o que se tem que aceitar...
Queria descobrir onde errei ao soletrar..queria descobrir onde me perdi de um olhar..
Queria relembrar quando deixei de olhar pra mim mesma,onde joguei o tal espelho fora, Queria relembrar o velho compromisso comigo que tinha de não me perder, queria me deter e dizer...faz de novo, vai dar certo dessa vez ..vai, faz de novo que dá ..
Mas olho pra mim e me vejo assim..
Queria poder recomeçar do zero, do zero tudo, tudo mudar..
Queria poder tudo esquecer
Queria poder tudo lembrar..
Queria, queria, queria, a como queria deixar de escutar de mim essas velhas lamúrias e só por um momento escutar, poder escutar aquela sonzinho, fraquinho,lá dentro a me falar, queria novamente poder escutar a minha voz e não dos outros os gritos, tão altos, medrosos, medonhos, gruhnhidos..
Para de olhar pra fora e olha pra dentro..
Para de se lamentar..
Para de querer se culpar..
Para..
Para..
Parar é só parar!
Continua, basta continuar a caminhar ..continua, não para..segue, olhar pra trás só te trará o de trás..
Para de parar e anda....
É tempo pelo amor de Deus de caminhar..
Anda..vai, segue..é só seguir, é dar mais um passo, depois outro e depois outro e dessa vez lembra: - Não é só olhar pra os lados e também é..mas sobretudo e principalmente olhar pra dentro e pra frente, mas não para, pelo amor de Deus, nao para, anda, corre, que certamente, muito certamente te encontrarás lá na frente pois dentro de ti já estás..vai..não para..corre !!!

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

TEMPO DE CHEGAR


Amado me fala do tempo, vem, vem me falar..
Amado me diz do tempo e se tenho ainda que esperar..
Amado me põe no colo,me faz suspirar..
Ai Amado me fala dum tempo em que vais estar..
Me fala do tempo amigo, amigo fala, não cala, não me deixa mais assim esperar sem teu sinal posso até adoecer, me entregar, ficar mal, vem me fala ...
Me fala do tempo que faz esquecer quando é tempo e que nos lembra quando é tempo de nos relembrar.
Tempo amigo..
Amigo tempo...
Matéria...
Quantos não repetiram gestos que aqui me levaram a relembrar.
E gestos vieram e com ele o tempo a me mostrar que era tempo de te encontrar ...
Pedaços de tua memória soltos no ar.
Vinhas pelo ar..através de tantos, mas sempre vinhas, nunca,nunca me deixavas ficar ao sabor do vento, e por ele te fazias chegar.
E quando te distanciavas no tempo, assim espaçando o teu chegar, dava-se pra ouvir pelo vento: - Aguenta um pouco mais, só um pouco mais..já já estarei lá ..
E Amado, isso, bastava isso, pra eu ter alento e sustento e me deixar levar e ouvido ao vento te tentar escutar pois era preciso continuar a caminhar, mesmo que pra isso precisasse engolir seco, seguir sentindo a saudade apertar..
Ai Amado me fala do tempo..me fala, ou me manda falar, sussurra que vou saber te escutar nem que pra isso por outras bocas fales, mas manda falar..
Me fala que de novo que vou te encontrar num certo tempo. que as batidas do meu coração não vão se enganar e no tempo certo saberão me mostrar e contarão que nunca mais ter que esperar.
Me manda notícias, me faz correr, me banhar, por roupa lânguida e nova, me faz colocar batom, me faz amado me faz..olhar pra janela querendo, prevendo..
Me fala amado do dia que vais chegar, me faz por vestido florido, os cabelos escovar,as unhas dos pés e mãos de vermelho pintar..
Me faz amado me perfumar, que é pra tu que guardo aquele perfume e aquele olhar, me faz amado ficar feliz ...me diz amado que vais, logo mais, logo mais mas que vais e nunca mais me deixarás esperar!

O SELO DO ETERNO


Elos , aros soltos, passados e que não por serem passados , se foram, partiram, se deixaram levar, enevoar pelo tempo e pelo espaço, lugar amplo quando se é deixado ou se deixa pra trás...
Foram por terem se esgotado, terem nos dado os momentos que precisávamos viver, existir de fato, aprendido, compreendidos, nos exposto o que em nós precisávamos ceifar ou regar..
Mas repentinamente algo, um som, uma canção, imagem, algo nos toca a alma e nos faz olhar e constatar: Foram idos, morreram, partiram, acabaram, finaram, finados!
Foram idos, mas vividos e até por isso doloroso o separar, o romper vínculos , o morrer, o finar.
Morremos sempre um pouco,isso é lugar comum, é fato, sempre que deixamos pra trás histórias que foram e que de algum modo nos trouxeram aqui.
Senti a morte de alguns vividamente e ontem ao rever a partida de alguns, que até ainda em vida estão aqui,me dei conta: morreu, sucumbiu e há tanto tempo atrás e só hoje me dei conta que foi, partiu, eu é quem lutava pra manter a chama acesa e por mais que doesse estar longe, distante e ter partido eu lutava por algo que já havia até sido enterrado pelo tempo e pelos fatos, mas só eu lutava pra manter vivo algo que hoje sei, lutava por algo em mim que precisava morrer, findar, me esforçava, empregava uma força, algo que me desgastava por que não deixava que a natureza atuasse enterrando, aliviando o peso em mim, seguindo o fluxo, me enlutando,até pra dor passar de vez, pra que o passado passasse e se deixasse prantear, velar com lágrimas nos olhos, dor na alma, que faz parte do constatar: - Se Foi, Acabou, Findou....
Luta vã!
Vivemos assim as vezes, tentando desencavar o que já foi enterrado, velhos pesos, velhos fatos,fardos, velhos laços rotos,retratos esmaecidos,acabados, enterrados, amarelados pelo tempo e espaço, que é da matéria qualidade e não sem razão!
Resistência.
Desapego de nós.
De resto é só sentir e saber que se foi passado e ficou é que tinha o peso do amor ou da dor, esse também um grande elo, liga em tridimensão.
Se foi só dor ao reencontrar se esgota e se esvai, volatiza, desaparece, some no ar, se deixarmos que a natureza siga seus passos, naturalmente, mas se a liga da dor tiver sido, por ser liga,impregnada do amor,o selo do Eterno, esse permanece e com ele o seu teor do sempre, da vida!
Elos , aros, anéis que permanecem vivos embora a matéria do que foi tenha sido devidamente enterrada e com lágrimas sentidamente velada, pranteada e a existência do milagre aprendemos aqui!
O Eterno virando realidade em Tridimensão!
Eternização!
Continuação!
E de novo só o fato de estarmos vivos e continuadamente selando novos e velhos tratos, do que pensávamos mortos e permanecem vivos pelo selo do eterno, precisamos ter o fato que vão, esses tratos também eles um dia passarão, vão passar, passarás tu também a aqui me ler e retratar como fato, foto, aro, elo mesmo distante no espaço, vai tudo, todos vamos passar, deixar marcas e partir e deixar que outros nos velem é o que fará a vida continuar...
Sem resistências continuar e ficará o retrato em cima de um móvel, parede, a lembrar o que foi num certo tempo lá ...bem longe lá, seguiremos o fluxo nós também do espaço e do tempo!