
Tempestade de areia agora aqui lembrar-me dela, revê-la como um filme, e quase ainda sentir a sensação da areia nos meus olhos e as lágrimas que os limpou é sentir que elas nunca são iguais, sempre revelam em nós algo que não víamos antes por nossa cegueira, por não queremos enxergar, teimar, deixar que a areia nos cegue é pior que a tempestade em si.
Quando vou me acostumar com elas? Quando serei tão forte quanto esse povo do deserto?
Parecem feitos de outra matéria... algo mais depurado do que eu sou, algo maior...
E quando a tal tempestade passa há calma , e tudo volta a aparente rotina, a alma se aconchega dentro do corpo, pisamos aqui inteiros, seguimos a caminhada..
O que fazemos aqui?
Faz tanto, tanto tempo , dias, noites, meses, anos, o tempo passou, passa, sentimos: É necessário caminhar, seguir, prosseguir, não dá pra enraizar, é Lei sentida no Deserto.
E começamos a caminhar, e seguimos em busca de outro lugar,a direção é a do nosso coração, ele nos guiará...
E mais dias e mais noites na caminhada.
Deus quando vou me acostumar?
Andar, Caminhar .....Seguir....
Pai, daqui já se vê o mar!
O Grande mar azul
E enxergar o contraste do azul de sua água com o branco da areia do Deserto é lindo, dá pra se cantar a sua beleza.
Há sede mas ainda há água , há força pro caminhar.
E ao chegarmos perto do mar é como se fizesse mais notado nosso cansaço , ou só nos permitimos aí o sentir o peso das roupas coladas ao corpo pelo calor e a longa jornada até cá ?
Não dá pra conter, das velhas roupas nos livramos e no azul do mar mergulhamos e rimos e brincamos como crianças.. Não há como esconder a criança á vista do mar.....
Ali novamente armamos nossas tendas, a noite chega e nos encontra a todos refrescados e limpos.
Acendemos a fogueira e cozemos nossos alimentos, o fino aroma de temperos, chás, assados.
Agora é noite no Deserto sim mas, perto do Mar.
Na tenda preparo-me, óleo nos cabelos, fino aroma de aloés, mirra, incenso, sândalo. Visto-me, sandálias douradas, roupas coloridas de prateado, dourado, azul, verde, na testa a pequena gota lilás, ametista , pulseiras douradas.
Saio e sinto o vento ameno, ar de mar, que a tudo neutraliza, junto-mr a meu povo, cantam e dançam, tomamos do quente vinho, logo vou querer descansar, foi longo o tempo até cá e ao voltar a tenda é a música que cantam que me faz aquietar, as velhas histórias de um povo que veio de tão longe ..
Quentes noites, quentes canções, quentes corações.
Cai a noite na tenda e é o cansaço que me acalenta me faz adormecer, logo amanhecerá.
E assim tem sido há tanto e tanto Tempoooooo!!!!!
Eu sei que pela manhã o quente leite alimentará, o cheiro do pão entrará por nossas narinas nos fazendo acordar e novamente o longo trabalho de nos manter sadios na espera.
Não sei por quantos dias e quantas noites ou quantos Éons....os sinais se farão notar e o esperar é o que nos resta, é o que resta a cada um de nós, é o maior alimento.
A esperança não nos deixará, sei, sinto seu perfume..
Estrela nova no céu.
Brilha!
O que virá ?
Ousaria sonhar?
Oro por nós!












Aqui onde tudo me faz lembrar você, fica difícil tentar conviver com a ausência...


